Você provavelmente está se perguntando: por que o Alex está me contando tudo isso? Qual é o ponto dessas histórias todas?
Bom, tem alguns pontos:
O primeiro é que a gente aprende para dar vazão pro que importa de verdade pra gente. Isso significa que a gente aprende para realizar nossos sonhos, para alcançar o que a gente quer, para "parir" novos futuros. Às vezes, também, a gente aprende simplesmente porque queremos expressar nossa curiosidade, um instinto natural humano que tem tudo a ver com a nossa sobrevivência como espécie (teremos uma aula sobre curiosidade também). O outro lado dessa moeda é que a gente NÃO é muito bom em aprender aquilo que não nos soa importante. Talvez você consiga decorar, memorizar, passar na prova, mas aprender mesmo é outra coisa. Tente se lembrar da fórmula de Bhaskara que você “aprendeu” na escola, por exemplo, mas sem jogar no Google. Poucos de nós se lembram. Mas sabe uma coisa que eu lembro e pratico até hoje? Como construir sites, uma habilidade que aprendi na adolescência, por pura curiosidade. Entendeu a diferença?
Toda essa herança que carregamos da escola, ou melhor, do jeito de aprender da escola, totalmente desconectado da curiosidade, do sonho e da importância real, isso tudo vai moldando o nosso jeito de ser e, em especial, o nosso jeito de entender o que significa “educação”. Teremos também uma aula sobre isso já já chamada Crenças Escolarizantes: a educação heterodirigida que ainda vive em você, que também é o nome de um livro que escrevi sobre o assunto. Por mais que você quando criança tenha tido acesso a outros entendimentos sobre educação, por mais que tenha conseguido “hackear” os processos da escola tradicional, a influência dessa herança escolarizante continuará sendo significativa em você, pois estamos falando de um sistema hegemônico global. O que é preciso, então, é aprender a aprender apesar das crenças e dos hábitos educacionais negativos que herdamos dessa cultura educacional heterodirigida (o outro sempre controlando o que e como você aprende). Esse curso é justamente para te ajudar a descobrir como fazer isso pelo resto da sua vida a partir de agora.
O terceiro ponto dessas histórias, na verdade, tem a ver com o próprio jeito que eu escolho me apresentar pra você durante esse curso: de uma forma humana, simples, mundana, sem qualquer pretensão de me colocar como mestre, guru ou qualquer coisa do tipo. É por isso que eu conto histórias, porque elas nos humanizam e nos conectam. Um dos livros mais legais que já li, Sidarta, do autor alemão Herman Hesse, narra o encontro do personagem principal com o Buda. Iluminado e sábio, o Buda viajava de cidade a cidade a fim de ensinar sua doutrina para os diferentes povos. Ao perceber isso, Sidarta confronta o guru dizendo algo como “você alcançou a iluminação pelas suas próprias experiências mas, agora, suas tentativas de doutrinação afastam as pessoas da possibilidade de viverem também as suas próprias experiências”. Entende? Eu não quero ser o guru que controla os caminhos. Isso é, inclusive, o oposto do que proponho aqui. Você precisa pegar tudo que estou falando e se apropriar disso você mesmo, com as suas próprias palavras, testar na sua própria realidade, sentir na própria carne, aproveitar o que serve e descartar o que não serve, recriar e transformar do seu jeito, enfim, conduzir o seu próprio destino. Não confie nunca em alguém que irá “revelar a verdade” por você: sempre se atreva a descobrir por si mesmo.